Se não deu certo…

Normalmente criar expectativas faz parte do meu dia a dia. Mas segunda-feira não. Acordei suficientemente tranquila, por mais que estivesse esperando uma resposta. Durante a aula de Ilustração Digital entro no meu e-mail, na falida tentativa de enviar minha ilustração a mim mesma, afinal o pen drive tinha sido esquecido em casa. Neste momento lembrei da resposta que eu estava aguardando, e que não tinha chegado ainda… “Você tem (zero) novas mensagens”. Expectativas também zero, mas frio na barriga mil! Sem saber o que esperar, só muito ansiosa. Chegando em casa faço alguns telefonemas e começo a correria. Em pouco tempo já estava dentro do ônibus, e chegando na Terra da Garoa. E no meio da imensidão de prédios e variados biotipos, eu me encontrava sozinha, no meio do metrô. Coincidência ou não, a semelhança com a Metropolitana Romana me ajudou e proporcionou a possibilidade de vagar tranquilamente entre linhas e vagões. Tranquilidade total exceto quanto as más indicações que dificultaram a compra dos bilhetes. Cinco minutos de confusão mental e 25 de semelhanças e saudade romana.

Enquanto esperava durante uma das baldeações tive a “sorte” de esperar exatamente na frente da única porta que não estava abrindo. Fiquei irritada devido ao “tempo contado”. O primeiro estágio de calmaria veio quando me lembrei que o trem seguinte chegaria rápido, diferente de como é na Itália. O segundo momento veio quando percebi que a mulher parada atrás de mim estava rindo. A primeira frase que me veio em mente foi “POR QUE ela está rindo…”, até que eu me virei e cheia de simpatia ela começou a puxar papo: “haha, a mulher ali de trás falou ‘por que essa m*rda não abre?’…”. Dei uma risadinha e respondi: “é, pois é”. Não compreendi muito bem no primeiro momento qual era o intuito daquele comentário, até ela completar: “Hm, se não abriu é porque não era pra abrir! É só esperar o próximo, não é não? Significa que esse não era pra ser o nosso…”. Só consegui responder um “é mesmo” e caí no silêncio. Me senti arrepiada.

Foi como se no meio de toda aquela imensidão paulistana, de todas aquelas vozes cheias de histórias e emoções, eu estivesse sozinha. Em um vazio intenso e silencioso, cheio de pensamentos.

Voltei à realidade assim que ouvi que o próximo trem se aproximava. Fiquei com aquilo guardado na cabeça.

Beijos mil,

Valentina Rampini

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2 Responses to “Se não deu certo…”


  1. 1 Carolina sábado, agosto 21, 2010 às 16:38

    como voce consegue escrever tao bem? parabens, serio!

  2. 2 Valentina Rampini sábado, agosto 21, 2010 às 18:34

    hahaha! ah, muito obrigada!!


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