Palavras de um amigo

As coisas não fluem naturalmente. Os pensamentos não se adaptam ao papel. Eles são livres, rarefeitos e espontâneos. Quanto se perde na tradução de um pensamento em uma palavra? Talvez daí tenham surgido os gênios da escrita. Facilmente e de maneira hábil, um pensamento vira uma palavra, e uma palavra se faz mil pensamentos. Já tentou fazer as coisas de maneira automática, sem regras e sem restrições? Como explicaria Freud, o Superego tentando se impor a Idi. Porque não fazer da vida um rascunho, onde as atitudes são primeiro realizadas para depois serem analisadas suas conseqüências? Ah, os gênios da arte. Talvez tenham feito suas obras como um rascunho, e dessa privação de privações despontara o magnífico. E na tela em branco que é a vida, desenhamos e apagamos; analisamos, projetamos, calculamos e apagamos. E timidamente, vamos traçando marcas leves, que podem ser facilmente corrigidas, facilmente esquecidas. Por que não lançar cores fortes e formas abstratas duma só vez? Por que não acreditar que da mistura de erros pode-se obter o maior dos acertos? Por que preferir o concreto ao abstrato? O concreto é rígido, cinza, material, certo, intransponível. O abstrato simplesmente não é.

Qual o motivo de não recebermos o amor de braços e coração aberto? Crer no amor talvez seja tarefa pra poetas e revolucionários. Muito mais fácil aceitar o que já está, de fato, consumado, do que transformar o impossível no objetivo desejado. Porque escrever com introdução, desenvolvimento e conclusão? Porque explicar com lógica as coisas que naturalmente vieram ao mundo sem ela? De respostas vivem os ignorantes. Aprendem, decoram, e retransmitem. Perguntas inteligentes, por favor. Por favor.

Mas ao decorrer desse texto, minha inspiração poética fora-se esgotando, e procurei dizer palavras que causassem fortes efeitos emocionais. Então não era mais eu, não escrevia o que sentia, porque não mais sentia. Entre cada ponto final parei e pensei minutos, corrigi tempos verbais, colocações pronominais. Pensara no leitor, não mais no que me motivara a começar a desprender vocábulos no mundo. Tive um pensamento que se desenrolou por 27 linhas até então. E quanto dele foi perdido? Tudo. (Gabriel Roca)

Adoro receber e-mails dos meus amigos.

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2 Responses to “Palavras de um amigo”


  1. 1 Maria Amelia quinta-feira, fevereiro 25, 2010 às 20:57

    Oie…….
    Me senti um pouco melancólica enquanto lia sua escrita. Entendo q é mt dificil ficar longe dos pais. mas esse diário te faz bem. tenho uma sobrinha que fez facul na Inglaterra e agora está trabalhando lá. Ela tem 21 anos e é Rampini. Viaja bastante tb. E gosta mt de ir na Itália.
    Valentina, você é ótima “escritora”. Parabéns!!!
    Maria Amelia Rampini.
    Obs: seu pai é mt novo p 53 anos. Vi a foto dele. A minha familia aki tb é mt bonita, assim como deve ser a sua.
    Beijão.

    • 2 valentina rampini sexta-feira, fevereiro 26, 2010 às 19:41

      (esse texto foi um amigo meu que escreveu!)
      muito obrigada pelo elogio!
      sim, realmente é dificil, mas essa experiencia me esta fazendo muito bem! é importante aprender a viver longe, etc!
      hehehe, obrigada! passe aqui sempre :P
      bjs


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